Qual o objetivo da psicoterapia?

Muitas vezes a pessoa padece acessos emocionais (bombardeio de afetações psicofísicas) tão severos e tão freqüentes que entram em esgotamento emocional ou em descontrole emocional, de tal forma que a emoção toma conta do seu ser. A pessoa que está descontrolada emocionalmente não consegue resolver sua situação, e ao tentar sozinho buscar a saída, esbarra nas impossibilidades e se emociona. É como se estivesse se afogando, e cada vez que se bate tentando nadar, mais se afoga. A psicoterapia vai possibilitar que o sujeito nade de tal forma que se salve. É preciso que o sujeito nade, e a psicoterapia vai mostrar como nadar e como enfrentar a correnteza para atingir a borda do rio que é o seu grande desejo. Isso é fornecer a tutelaridade do seu ser, que é o objetivo da psicoterapia. É localizar o sujeito de como é possível ele estar dominado pelas emoções, e possibilitar que em vez da emoção tomar conta do se ser, ele próprio passe a dominar a emoção e de forma racional ache a saída para seu impasse, de forma que deixe de padecer emoções de sofrimento (incompatíveis com a realidade) e passe a ter emoções de sanidade, de satisfação.

Toda emoção envolve o corpo. Quando ficamos alegres nossos olhos brilham, sorrimos, o coração dispara, às vezes trememos, choramos, dá um frio na barriga, ficamos agitados, etc. Da mesma forma que não existe uma pessoa alegre sem a alegria estar expressa no corpo, não existe uma pessoa triste sem experimentar aperto no peito, nó na garganta, choro contido ou compulsivo, etc. Assim como não há emoção sem ocorrências no corpo, não há emoção gratuita, sem motivo. Toda emoção tem um gatilho, ou algo material, concreto que desencadeia o processo emocional. As emoções ocorrem no sujeito sempre numa dada situação, num determinado dia, hora, lugar, com determinadas pessoas, fazendo certas coisas, ou seja, ocorrem num contexto, como conseqüência da relação da pessoa com os outros e com as coisas que viabilizam ou não o seu desejo de ser determinada pessoa. Um sujeito, por exemplo, que não consegue dormir, é alguém que está enredado com alguma coisa que o coloca numa situação emocional que lhe tira o sono.

Outro exemplo de impasse emocional é uma pessoa que fica com medo de andar no elevador. Esta pessoa experimenta o medo (sensação de paralisação, palpitação, respiração curta-ofegante, tremor/tremedeira, aperto no peito, sufocamento, frio na barriga, náusea, dormência nas mãos e braços, sensação que vai desmaiar), quando ela está tal dia e tal hora, no determinado prédio, diante do elevador e precisa pegá-lo para chegar ao seu destino, que pode ser o seu trabalho ou a casa de sua namorada. Se naquele dia aquela pessoa não precisasse enfrentar o elevador, com certeza, não por este motivo, não teria entrado na emoção medo. No entanto evitar o elevador pode impedi-lo de ser o profissional ou o amante que deseja ser.

Sabendo que a emoção ocorre no corpo e está sempre relacionada com uma materialidade e um contexto, e quem se emociona é sempre uma personalidade, o psicólogo existencialista verifica com objetividade o que está acontecendo e planeja com segurança, a partir do diagnóstico clínico, a intervenção adequada a fim de se superar o impasse emocional. Por isso o primeiro passo da psicoterapia, que é fundamental e imprescindível, é o psicodiagnóstico clínico.