O psicodiagnóstico clínico na psicologia existencialista

O psicodiagnóstico clínico, que é a primeira fase do processo terapêutico, consiste na demarcação do que está acontecendo em termos emocionais com o paciente através de um inventário detalhado da situação emocional do paciente, de tal forma a se ter esclarecido:

  • Como são as emoções do paciente? De que tipo? Quais os sintomas constitutivos? Onde ocorre, quando, com que
  • freqüência e quais os gatilhos que desencadeiam as emoções?
  • As emoções são reativas às situações ou não?
  • Como as emoções iniciam, evoluem e se extinguem?
  • Como é possível o paciente estar padecendo tais emoções?

O diagnóstico é realizado através da verificação detalhada, rigorosa e cuidadosa das emoções que se dá por acessos emocionais (conjunto de afetações/ocorrências psicofísicas) e que sempre tem relação com um contexto concreto, com uma realidade que pode ser verificada. Todo acesso emocional corre num dado episódio, sempre desencadeado por um gatilho material, concreto percebido pelo paciente em dada situação vivenciada. E estes episódios são verificados, inventariados detalhadamente de tal forma a se demarcar o fenômeno psicológico do paciente, e inclusive se o que está ocorrendo com o paciente é psicológico ou não.

Muitas vezes o paciente tem tremedeira, sudorese, tontura, sensação que vai desmaiar, palpitação, respiração curta-ofegante, náusea, etc, e não é emocional. O paciente pode estar com alguma disfunção fisiológica, tal como hipertireoidismo, hipotireoidismo, diabetes, hipoglicemia, labirintite, problema cardíaco, hipertensão, outros.

Por isso, o diagnóstico é realizado de forma interdisciplinar com a medicina. O médico cuida da parte fisiológica e o psicólogo da parte emocional. É preciso esclarecer que o psicodiagnóstico não se realiza por exclusão. Ou seja, se não for encontrado nada de ordem físiológica no paciente, então, por conclusão lógica, o paciente sofre de problema psicológico. Não é assim que a psicologia Existencialista trabalha. Sabe-se como é possível uma pessoa se emocionar ou não, como uma personalidade se constitui, e como as emoções e as psicopatologias se desenvolvem. Desta forma, ao se verificar as emoções, (como elas ocorrem, onde, quando, com quem, como começou, as ocorrências sintomas, como se extinguiu) é possível com segurança se saber se é psicológico ou não. Se o acesso não for psicológico o paciente é encaminhado ao médico. O psicólogo que trabalha com Psicologia Existencialista, a partir do processo de psicodiagnóstico clínico, distingue muito claramente, com segurança, quando um acesso (conjunto de afetações no corpo/ocorrências sintomas) é de ordem psicológica ou de ordem fisiológica.

No entanto, muitas vezes o paciente sofre de algum problema ou impasse emocional, mas apresenta concomitantemente alguma patologia fisiológica que pode até intensificar, potencializar as emoções, ou vice e versa. E não é incomum o paciente apresentar alguma patologia fisiológica sem saber. Devido a isto, sempre trabalhamos de forma interdisciplinar com o profissional médico, nem que seja para o paciente fazer um check up ou para receitar a bengala química, quando necessário.

Assim, os acessos que o paciente padece podem ser de ordem anatomofisiológica ou pode ser emocional. Se for emocional, os acessos podem ser reativos ou psicopatológicos.

Tipos de Acessos emocionais

Pode ocorrer de a pessoa perder o controle, ter um acesso emocional, entrar em desatino e nem por isso estar com algum problema psicológico, pois pode ser reativo. Acesso reativo é quando o acesso emocional é a reação a uma situação concreta que o lança na emoção, e lançaria qualquer pessoa que vivenciasse a mesma situação. Por exemplo: ficar com medo durante um tiroteio ou ter acesso de tristeza por ter perdido um ente querido ou acesso de tensão pelo fato de perder seu emprego. Outro exemplo de um acesso emocional reativo é a dissonia (distúrbio do sono) por causa do calor, mosquitos ou até mesmo por excesso de consumo de cafeína. Assim, os acessos emocionais reativos são emoções de sofrimento, mas indicam que a pessoa está saudável em termos psicológicos. Neste caso para a pessoa parar de sofrer, deve-se intervir na situação que provoca ou desencadeia o acesso emocional. Uma vez retirando ou modificando os ativadores situacionais, o paciente pára de padecer acessos e segue sua vida em frente. A intervenção terapêutica se focará numa orientação existencial e dará assistência ao paciente a fim de se superar a situação desencadeante do sofrimento emocional.

Já os acessos não reativos são emoções incompatíveis com os gatilhos ou com a situação em que o paciente está vivendo. A pessoa padece a emoção, mas não consegue compreender com é possível, já que não há nada realmente ameaçador ou entristecedor ocorrendo. A pessoa está aprisionada a acontecimentos do passado, se experimentando impedida de viver o futuro de forma satisfatória. Nesta situação é preciso fazer a psicoterapia de modo a intervir na personalidade e na estrutura emocional da pessoa.

Psicóloga Juliana Alves Santiago