Metodologia


O Espectro do Autismo é um transtorno de desenvolvimento derivado de um desenvolvimento neurológico atípico. Há evidências de que o Transtorno afeta a estrutura e a funcionalidade dos neurônios no cérebro das crianças com autismo. Os neurônios são mais curtos e possuem menos ramificações do que os neurônios de pessoas neurotípicas.

Devido a presença da plasticidade cerebral, ou seja, que o cérebro é capaz de se modificar em termos de estrutura e funcionalidade em resposta às mudanças do ambiente e aos estímulos sensoriais, sabe-se que este transtorno é tratável. Através da intervenção de uma equipe de profissionais especializados é possível que a criança progressivamente desenvolva habilidades sociais, cognitivas, de autocuidado e habilidades motoras.

Até a década de 70, a plasticidade cerebral não era reconhecida pela maioria dos médicos e neurocientistas. A crença generalizada daquele período era a de que o cérebro de uma criança tinha plasticidade apenas nos primeiros anos de vida, e que após 3 ou 4 anos de idade o crescimento neurológico era interrompido e o cérebro tornava-se uma estrutura rígida. Durante os últimos 10 anos, uma grande quantidade de pesquisas têm descartado a idéia da rigidez cerebral e apontado para a presença da plasticidade cerebral durante toda a vida do indivíduo. Por exemplo, utilizando moderna tecnologia de imagens cerebrais, pesquisadores do Semel Institute of Neuroscience and Human Behavior da universidade americana UCLA, em conjunto com pesquisadores da Mount Sinai School of Medicine, recentemente publicaram um estudo no General Arquives of Psychiatry. Eles ensinaram crianças dentro do Espectro do Autismo a prestar maior atenção a alguns estímulos sociais (como a expressão facial e de voz) e constataram que as regiões cerebrais que haviam previamente apresentado baixa atividade em resposta àqueles estímulos, passaram a apresentar níveis normais de atividade após o treinamento. Isto significa que os cérebros destas crianças transformaram-se em resposta à mudança dos estímulos do ambiente.

Considerando que quanto mais estimulada e motivada a criança estiver a interagir, mais ela vai se desenvolver, a Psicóloga Juliana, baseando-se na Perspectiva Desenvolvimentista e Interacionista, Abordagem Relacional: Estilo Responsivo de Interação, e Análise Funcional do Comportamento, busca no tratamento de pessoas que estão no Espectro autismo:

  • Fazer uma minuciosa avaliação do desenvolvimento da criança ou adulto para estabelecer as metas prioritárias e o plano de intervenção;
     
  • Fazer uma análise funcional dos comportamentos apresentados pela criança e estabelecer estratégias de modificação comportamental;
     
  • Investigar os interesses e motivações da criança para elaborar atividades interativas divertidas, lúdicas e interessantes que proporcionem o desenvolvimento da pessoa que está no Espectro do Autismo;
     
  • Estimular o desenvolvimento e a motivação intrínseca e extrínseca da criança em interagir e superar desafios através de atividades divertidas e lúdicas;
     
  • Estimular a aprendizagem prazerosa;
     
  • Treinar comportamentos socialmente aceitos e extinção de comportamentos indesejados;
     
  • Orientar aos pais para que possam no cotidiano estimular o desenvolvimento de seu filho;
     
  • Orientar e acompanhar os professores no processo de inclusão escolar e sociabilização da criança com autismo.